Follow by Email

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um pouco sobre mim

Nasci do interior de Minas, cresci em cidade diferente da minha de origem,fui para o Rio de Janeiro, onde estudei, me casei, me formei, me  profissionalizei, tive filhos, fiquei viúva e órfã de mãe. Diante da perda de minha mãe, decidi que iria morar perto do meu pai, e voltei para Montes Claros, onde estou até hoje, e onde permanecerei até agosto de 2011. 

Lembranças da infância



A primeira vez que eu soube - ou me lembro que soube - que me chamo Maria do Carmo, foi durante uma premiação dos melhores alunos do ano. Eu estava na primeira série do ensino fundamental (em 1961, primeiro ano primário). Ainda me lembro o nome da professora: D. Laiz.  Naquele tempo nós alunos ainda não tínhamos o hábito horrível de chamar as professoras de “tia”. O nome da escola era “Grupo Escolar Almirante Tamandaré”, em Jequitaí/MG.

Naquele dia estávamos todos lá: eu, meu pai, minha mãe e meus irmãos. Não me lembro quais, porque em  ’61 apenas Dorinha e Zezinho ainda não tinham nascido, mas não me lembro de todos os irmãos nessa festa de final de ano na escola, eu era muito pequena ainda...provavelmente ficaram em casa dormindo,meu pai e minha mãe estavam acostumados a nos deixar sózinhos em casa. Lembro-me de que apenas Tone e Ném estavam lá. Pois bem, vamos ao que realmente interessa...
Eu estava com muito sono, e nem conseguia me sustentar de pé. Era um acontecimento sem nenhum atrativo para uma criança  acostumada a dormir  “com as galinhas”... O sono era mais forte. De vez em quando minha mãe me sacudia, eu abria sofregamente os olhos e voltava a “desfalecer de pé”... Eu não entendia do que se tratava, não sabia que situação era aquela, e só estava lá porque meus pais me levaram.  Não estava nem um pouco interessada no que estava acontecendo. Na verdade eu me incomodava um pouco pelo interesse dos meus pais em permanecer ali, ouvindo aquelas pessoas falando, discursos, intermináveis, blá blá blá!...Provavelmente meus pais tinham sido avisados de que nem eu nem  eles  poderíamos  faltar.
Finalmente, e é só o que me lembro, chamaram: “Maria do Carmo Soares!”
Eu acho que nem sabia que era eu, porque continuei  impassível, mais interessada em “olhar para dentro (como dizia Gildo ,pai de Luizinho). Foi quando senti minha mãe me sacudindo de novo:  “- Fia, é você, vá lá em cima, estão te chamando!“. Com as pernas bambas e semi desfalecida de tanto sono,subi as escadas do auditório e me vi sendo aplaudida pelas pessoas que assistiam à premiação. É que eu fora a segunda colocada do ano... D. Laiz estava ao meu lado, sorridente e orgulhosa de ter sido a professora da segunda melhor aluna do ano. Meus pais me olhavam incrédulos...
O meu prêmio foi uma caneta-tinteiro azul, com o meu nome gravado. Na época eu nem dei muita importância, porque nem escrever direito com lápis eu sabia, mas aposto que para os meus pais aquilo era um troféu.  Meu pai tinha um bar na época, e ele a levou para lá, certamente para mostrar aos amigos e fregueses. Algum tempo depois eu perguntei ao meu pai pela caneta, e ele disse que ela tinha sido roubada. Malfeitores tinham entrado na calada da noite e levado algumas mercadorias e dinheiro da gaveta, onde a caneta estava guardada. Foi um acontecimento triste porque eu sei que para o meu pai e minha mãe aquela fora uma grande e importante perda.