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segunda-feira, 5 de março de 2012



                 Violência doméstica


É a agressão física ou piscológica perpetrada contra a mulher no âmbito familiar: tanto pode ser por marido, namorado, noivo, amante, pai, irmão ou outro membro da família. Geralmente o agressor é mais forte ou mais poderoso, e utiliza essa força ou esse poder como forma de controle, através de ameaças. A pessoa agredida sente-se intimidada e isto pode ocorrer vários motivos:
·        Dependência de ordem sentimental: a mulher é apaixonada pelo seu agressor e não tem coragem de denunciá-lo à polícia. Para se justificar ela usa os filhos (ele é o pai dos meus filhos, não posso colocá-lo na cadeia.. etc.).
·        Dependência de ordem financeira: O agressor é o mantenedor do lar, e a mulher geralmente não tem condições de sair em busca de uma renda, ou não lhe agrada a idéia de ter que trabalhar. Como fator cultural e como resultado de exemplos em família ela introjeta desde mocinha a idéia de que tem que ficar cuidando da casa, dos filhos, etc. Mesmo nos tempos atuais onde a mulher está bem mais presente no mercado de trabalho, continua predominando nos lares onde há violência doméstica o sentimento de conformação da mulher em relação às agressões serem perdoadas pelo fato de ser o marido quem sustenta a família.
·        Vergonha: Geralmente a mulher agredida sente vergonha de denunciar por motivos particulares: não querer se expor perante sua família, seus amigos, colegas de trabalho. Pode ocorrer que ela já tenha sido advertida por conhecidos sobre a possibilidade de ele ser agressor de mulher e ela não ter dado ouvidos por estar apaixonada.
·        Medo: O agressor ameaça a sua vítima e ela acreditanas ameaças, por isto não tem coragem de denunciar, ou a vítima não acredita nas ameaças, mas as usa em casos de violência doméstica, como pretexto para não denunciar o homem que ela ama, seja ele seu marido, noivo, namorado, amante, irmão, pai, padrasto, etc. Quando as vitimas acreditam nas ameaças e têm medo, a violência pode se perpetrar através de décadas. Geralmente esses agressores jamais cumpririam tais ameaças, pelas razões a seguir: 1. Pelo fato de que se elas denunciarem ele será preso; não terá como cumprir qualquer ameaça, já que a vitima será protegida com medida determinando afastamento, mesmo após o agressor sair da prisão;  2. Por ser um covarde e fraco, e só tem a mulher como forma de exercer poder e força.

Geralmente o agressor de mulher é fraco e covarde, e agride a mulher como meio de auto-afirmação. Tais agressões não se limitam às agressões físicas: qualquer meio de opressão é agressão. Seguem-se alguns exemplos de violência doméstica, fora do âmbito da agressão física:
·        Agressões por ciúmes ou desconfiança: O marido (por exemplo) sente ciúmes doentios da mulher e passa a ofendê-la com termos de baixo calão, como: “sua vagabunda”, “sua piranha”, “aposto que estava com outro na rua”... e outras observações afins.
·        Agressões por sentimentos de inferioridade: Ambos trabalham, mas a mulher exerce atividade popularmente conhecida como “bico”. Quando o rendimento é igual ou superior ao do marido, ele passa a minimizar ou ridicularizar a importância do trabalho que ela faz. Exemplo: “Isso que você ganha não dá nem pra comprar papel higiênico”. Tal ofensa muitas vezes existe porque o marido sente-se inseguro ou porque o fato de sua mulher ganhar mais do que ele é sentido como ameaça à sua hombridade. 

Casais homossexuais e a Lei Maria da Penha 

A violência doméstica entre casais pode ocorrer, tanto em relação a casais hetero como casais homossexuais. As características são as mesmas: tanto entre casais de mulheres ou de homens, predomina a força de o poder do agressor sobre a vítima. Ela geralmente se cala por vergonha da sua condição de companheira de outra mulher e a preocupação de se expor ao denunciar a agressora, ou por dependência financeira ou emocional/sentimental. Quando alguma dessas vítimas tem coragem de denunciar, ela recebe a medida protetiva através de processo e sentença do juiz. Caso a medida não seja cumprida a agressora pode ser presa. Estudos sobre a ocorrencia de violência doméstica entre casais homossexuais são muito recentes, tendo se iniciado somente a partir da década de 90. Já os estudos a respeito da violência doméstica entre casais heterosexuais teve início na década de 70. A dificuldade de se estudar esse segmento reside no fato de que alguns gays podem fazer uma interpretação errônea sobre o que entende como “sina”, como se fosse um castigo por ele/ela ser gay, e não  denunciam a agressão sofrida por seus companheiros(as).. Nas defensorias públicas o percentual de casais gays que entram com processo de dissolução da união homoafetiva é ainda muito pequeno, porque a maioria dos casais não regulariza a sua união. Quando isto acontece e ocorre a violência doméstica, eles "abafam o caso", tanto por vergonha quanto, talvez, por desconhecimento de que a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em caso de casais homossexuais.

Próxima publicação: Violência Institucional

quinta-feira, 1 de março de 2012

Todas as formas de violência


             Bullying

Após vários noticiários em todas as partes do Brasil e pelo mundo, relatando violência sofrida por determinado tipo de pessoas principalmente nas escolas, veio à tona o termo Bullying. Como todos sabem, é um evento muito frequente envolvendo um gupo coeso e uma pessoa vulnerável, e se passa, na maioria das vezes, nas escolas. Até há pouco tempo esta modalidade de violência não tinha destaque nos debates em emissoras de TV ou rádio. Apenas era frequente na internet, onde o mundo expressa suas angústias, seus medos, sua indignação.

No Brasil, passou-se a falar sobre o tema após o assassinato de dezenas de alunos em uma escola de Realengo, por uma vítima do bullying  em sua idade escolar, conforme ele mesmo relatou post morten. Seguiram-se daí, vários relatos de ataques de fortes aos fracos, e o termo ganhou notoriedade. Em Montes Claros, um aluno de escola estadual foi amarrado no centro de um grupo de colegas e sofreu toda sorte de humilhações, deboches e agressões físicas. Filmaram e enviaram o vídeo para a mãe da vitima, além de notociarem que o mesmo vídeo estava no youtube. O aluno procurou ajuda psicológica e mudou de escola, na tentativa de esquecer o que havia ocorrido. Outros exemplos de bullying se seguiram e atualmente é tema de trabalhos escolares, provavelmente na tentativa de minimizar a frequência deste ato sórdido, por pessoas inconsequentes que entendem esta ação como um passa-tempo, uma diversão, sem saberem que estão simplesmente lidando de forma inconsciente com uma eventual insegurança ou ansiedade.
·        Bullying masculino
Um grupo supostamente mais forte escolhe uma vítima que geralmente não consegue se defender e a ataca. As agressões são na maioria físicas, advindo as agressões psicológicas como consequência. Esta característica é notoriamente psicanalítica, de vez que, segundo as representações sociais os homens precisam demonstrar força, coragem e ousadia para reafirmarem sua identidade sexual dentro do âmbito da “normalidade”. Caso ele não consiga se mostrar dessa forma, será apelidado de “mariquinha”. Certamente essa idéia é geminada através do lider do grupo, e os seguidores a adotam naturalmente ou sob coerção, já que pode ocorrer que alguns membros do grupo não concordem com o ato, mas a necessidade de aderir a um dos lados os coloca na posição de agressores. O descaso da diretoria da escola frente ao bullying favorece a impunidade do grupo e cria expectativas em crianças  menores, e assim vão se formando novos grupos de agressores com o passar dos tempos.

·        Bullying feminino
Ocorre basicamente o mesmo com as meninas agressoras, sendo a diferença apenas no que diz respeito ao tipo de agressão: os ataques dos grupos de meninas a outras meninas mais vulneráveis são de cunho psicológico: deboches, rejeição, apelidos depreciativos, etc. Tais formas de agressão são tão letais quanto as agressões físicas, só que  mais sutis. O bullying masculino pode ser observado, filmado, fotografado, ele é diretamente observável, já o bullying feminino é dificil de provar. Ambas as formas de agressão resultam em prejuízos que podem adquirir dimensões incalculáveis, de acordo com a mente de cada vítima. Temos dois exemplos de filmes que ilustrarão muito bem esta observação:

Filme 1: Conta a história de uma menina de 13 anos que era humilhada por um grupo denominado “as gatinhas”. Eram meninas charmosas, lindas, arrojadas,  observadas e invejadas por ela, que sonhava entrar   esse grupo. Ocorre que a líder a explorava com promessas de que ela seria membro caso  fizesse seu trabalho escolar. Ela fez o tal trabalho e as "gatinhas" deram um jeito de enganá-la, pegaram o trabalho e a abandonaram na sua festa de aniversário. Pois bem: a menina se transformou em uma pessoa má, mesquinha, péssima filha, péssima profissional, etc.

Filme 2:  Conta a história de uma gordinha e feinha que foi iludida ao ponto de ir para a cama com  o rapaz mais bonito da escola. Tratava-se de um plano para humilhar a moça. O grupo a observava escondido  e um deles estava filmando tudo. Quando ela tirou a roupa e se deitou na cama, o grupo apareceu e caiu na gargalhada, zombaria, humilhação. A gordinha arquitetou um plano e destruiu um por um, anos mais tarde.

É claro que são apenas filmes, mas o fato do massacre na escola de Realengo não é ficção. Esses eventos podem deixar raízes profundas, dolorosas e maléficas para quem as experiencia, tanto por parte das vitimas quanto dos agressores. A dimensão da violência contida na vingança de uma vitima de bullying pode ser considerada em termos de progressão geométrica.


PRÓXIMA PUBLICAÇÃO: VIOLÊNCIA DOMÉSTICA