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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A resolutividade das oficinas terapêuticas nas unidades básicas de saúde


RESUMO: O movimento denominado Reforma Psiquiátrica, iniciado na década de 80, e que vem sofrendo gradativas transformações, tem se tornado o pivô do cenário atual em que se constitui ou deveria constituir o atendimento psicológico nas unidades básicas de saúde.  Através dela o manicômio ou sanatório passou a ter seus dias contados, e o direito à convivência familiar e comunitária, embora criticado por muitos, passou a ser uma realidade cada vez mais comum e diretamente observável e perfeitamente exeqüível, em qualquer que seja a camada social. Através das oficinas terapêuticas, esses pacientes passam a ter uma rotina saudável, com possibilidades reais de aprendizagem de um ofício que garantir-lhes-á,  pelo menos, a ocupação do seu tempo de forma terapêutica e saudável. 
PALAVRAS-CHAVE: Oficinas terapêuticas; atendimento psicológico; transtornos mentais; medida psicoprofilática, valorização social do usuário.

Introdução  
Após quase 05 anos de atuação em unidade básica de saúde, observo que as oficinas terapêuticas, importante estratégia de cuidado em saúde mental e que propõe a valorização do sujeito portador de sofrimento psíquico através do seu meio social, cada vez mais demonstram se constituir no melhor instrumento de atenção aos pacientes dos psicólogos das unidades básicas, assim como aos seus familiares: elas têm proporcionado aos profissionais de saúde mental maior facilidade em conhecer melhor o paciente, otimizando seu tempo de avaliação e tratamento. 
 Diante da impossibilidade de operar de forma diferente do que tem acontecido, dado o enorme contingente à espera de atendimento psicológico (que, na maioria das vezes trata-se apenas de fazer orientações aos pais de crianças e adolescentes, já que estes geralmente não apresentam perfil de usuários da psicologia em centros de saúde) e do escasso número de profissionais à disposição – no grande Maracanã, por exemplo, são aproximadamente 40.000 moradores, estimando-se em 10% de pacientes em potencial, para apenas 01 profissional atender – as oficinas terapêuticas se configuram em recurso adicional de primeira linha, já que elas possibilitam um diagnóstico completo, rápido e ao mesmo tempo, na terapêutica adequada, dependendo do caso.  

O perfil dos pacientes das oficinas terapêuticas  

Durante as avaliações, seja nos atendimentos individuais ou em grupo nas atividades das oficinas terapêuticas, percebe-se que há maior procura por parte de pacientes ditos depressivos, mas que muitas vezes encontram-se em situação, dir-se-ia, transitória . A parcela referente aos adultos, especificamente os pacientes de transtorno mental importante em atendimento, é muito menor do que na verdade pode-se supor. Nas oficinas terapêuticas, a maior freqüência observada é das “donas tristes, e crianças levadas” (Linha-Guia em Saúde Mental). Aí provavelmente se explica o fenômeno interessante que vem ocorrendo nos atendimentos feitos através das oficinas terapêuticas: o alto nível de rotatividade de pacientes ditos depressivos e o nível insignificante de recorrentes. Por outro lado, a freqüência e constância dos pacientes egressos da Policlínica Helio Sales e de outras instituições é significativa e seu nível de participação tem se mostrado desejável, em ambos os sentidos: no do comparecimento e do empenho nas atividades que exercem.  
A resolutividade das oficinas terapêuticas 

O fato de as oficinas terapêuticas se configurarem em importante e adequada estratégia de atendimento em saúde mental nas unidades básicas, abrangendo desde os portadores de ansiedades leves até as esquizofrenias e outros tipos de sofrimento psíquico, pode favorecer a uma grande camada da população. Os que sofrem de depressões menos graves e que superlotam os centros de saúde, aumentando as filas em busca de uma consulta médica, devido às somatizações, conseguem em pouco tempo reduzir a ansiedade e dar lugar a outros pacientes, criando uma rotatividade que se supõe ser desejável: em pouco tempo, o paciente consegue se perceber melhor, se entrosar melhor com os outros membros de sua família, e isto pode ser suficiente para reduzir a sua ansiedade, acarretando, daí, importante economia para os cofres públicos, ao prevenir gastos desnecessários com especialistas, que na maioria das vezes observam  inexistência de organicidade nas queixas apresentadas.  
Conclusão  
Necessário far-se-ia, pois, que houvesse empenho e investimento mais significativo por parte dos gestores municipais nas atividades das oficinas terapêuticas, com a contratação ou remanejamento de artesãos atuantes em outras secretarias, aquisição de maquinários e materiais específicos para as oficinas terapêuticas. É necessário também o treinamento com profissionais psicólogos e de outras formações, principalmente aqueles que ainda resistem à essa estratégia, embora ela tenha se mostrado suficientemente adequada. Pode-se afirmar que as oficinas terapêuticas se configuram, dentre outros itens, em importante medida psicoprofilática, considerando as ansiedades comuns do dia-a-dia, que, tratadas precocemente, podem vir a ser anuladas de forma plena e consistente, diminuindo as filas em busca de consultas médicas e requisição de exames que geralmente se apresentam normais. Reside aí o caráter preventivo das oficinas terapêuticas em relação aos transtornos emocionais na esfera das neuroses ditas leves, que poderão causar maiores sofrimentos tanto para o paciente quanto para seus familiares, e gastos desnecessários para os cofres do município.  
Referências  
1-     Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais– Linha-guia em Saúde Mental  
2-     Projeto: Cada doido com sua mania, disponível em http://www.cdsm.ufes.br/oficinas.html, acesso em 25/10/08
3- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à
Saúde – DAPE. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma Psiquiátrica e Políticas de Saúde Mental no Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental. 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005.

 
  
 

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